Introdução
É o primeiro longa-metragem totalmente pintado à mão (sim, cada um dos quase 65 mil frames foi pintado por artistas). O filme investiga a misteriosa morte de Vincent van Gogh por meio das cartas que ele escreveu ao seu irmão Theo. A história segue Armand Roulin, filho de um carteiro amigo de Van Gogh, enquanto ele tenta entregar a última carta do pintor e acaba mergulhando na vida, nas dores e no legado do artista.”
Eu diria que Van Gogh e eu somos parentes de épocas diferentes, mas aí seria muita pretensão da minha parte 😑, então, apenas vou dizer que eu me espelho nele; eu não pinto, mas escrevo como se cada palavra fosse curar minha dor incurável, o que talvez ele também sentisse enquanto pintava. Não tive a oportunidade de conhecer esse cara que eu bateria um papo numa terça-feira à tarde sobre girassóis, mas conheci suas obras e talvez fosse só isso que ele quisesse.
A melhor cena desse filme foi o Armand dando uma surra naqueles caras do bar 😀🔪, mas, não é que eu goste de violência gratuita, não, não é isso. Eu só gosto de ver quem quer fazer mal se dar mal, só isso 😀🔪☝️.
E, como a boa escritora que eu sou, fiz dois poemas sobre nosso Vincent. Preparem os lencinhos porque… cês vão chorar 🥰.
1º Poema: A Arte Precisa Ser Sentida
Ninguém viu você sangrar.
Seis semanas antes
Você tava escrevendo,
Dizendo que estava “perfeitamente bem”.
Van Gogh, você pintava tão bem
E... Agora você está morto,
Não por natureza,
Mas por causa da dureza alheia.
Eu me identifico, sabe?
Ninguém — além de uma pessoa furacão — consegue ver o quão dolorido é
Sentir e não expressar,
Sorrir, não podendo chorar.
Talvez, Van, sejamos dois incompreendidos,
Que pintam e escrevem
Porque o mundo,
O mundo não nos merece.
Pintura,
Escrita,
A arte precisa ser sentida,
Mesmo que doa.
2º Poema: Cortes Físicos, Cortes Almáticos
Cortes físicos,
Cortes almáticos,
Tudo isso é misturado.
Cortes físicos,
Cortes almáticos,
Isso até pode ser somado.
Cortes físicos,
Cortes almáticos,
Cortes sem sentido figurado.
Cortes físicos,
Cortes almáticos,
O meu ódio por mim é deliberado.
Cortes físicos,
Cortes almáticos,
Nada é equilibrado.
Cortes físicos,
Cortes almáticos,
Eu queria não ter cortado.
Significado do 1º Poema
1ª Estrofe: A autora inicia o poema com o contexto de Van Gogh, mostrando sua inspiração.
2ª Estrofe: A autora elogia Van Gogh, digere a realidade de sua ida e afirma que foi por causa da “dureza alheia”.
3ª Estrofe: Aqui, a autora faz uma ponte para sua própria realidade de ter que “conter” o que sente. O detalhe sutil é que ela cita uma “pessoa furacão”, como se ela tivesse encontrado alguém que a entendesse.
4ª Estrofe: A autora constata que eles são incompreendidos e que fazem o que fazem (pintar e escrever) porque o mundo não os merece.
5ª Estrofe: Ela resume o que eles fazem (no caso dele, fazia) e reafirma o título. O último verso mostra que a arte nem sempre é bonita, mas dolorosa.
Significado do 2º Poema
1ª Estrofe: Ela repete o título, dando ritmo, e diz que é tudo misturado. Aqui, a dor física existe com a dor emocional.
2ª Estrofe: A autora fala da possibilidade de soma dessas duas dores, mostrando que essa sensação, que esse desconforto pode crescer.
3ª Estrofe: Aqui, ela mostra que os cortes são literais. Fisicamente, fala-se de automutilação; emocionalmente, fala-se de traumas verídicos.
4ª Estrofe: Afirma-se que o ódio que ela sente por si é deliberado, ou seja, uma escolha consciente.
5ª Estrofe: Aqui, ela afirma que as dores não são equilibradas, ou seja, elas são em excesso.
6ª Estrofe: Ela termina com arrependimento de ter se cortado (física ou emocionalmente).
Conclusão
Van Gogh não foi reconhecido como merecia e talvez nem eu seja um dia, mas algo fizemos: existimos e fizemos o que queríamos — como ninguém.
{Lua Austen}