quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Carta Aberta — Um registro de meu eu para mim.

Oi. Passei o dia pensando e planejando o que escreveria agora. As ideias foram surgindo, passando, voltando, e eu não consegui me decidir. Talvez o bom da vida seja esses momentos imprevisíveis, que a gente não sabe o que fazer ou o que ser.

Faz quase uma semana que eu não escrevo para cá. Eu até me desculparia, se me sentisse culpada por querer paz e pausa. Mas eu não vou, porque soaria falso e eu tenho um contrato com a verdade desde que eu li Anne Frank dizendo que vamos mais longe com a honestidade.

Hoje é o último dia do ano. Mas não é isso que me impele a escrever. É a necessidade de fazer algo, mesmo que seja escrever para um blog adolescente. Talvez hoje seja o melhor dia para a reflexão, mas eu reflito todo dia, então hoje é como ontem e como sempre foi: um dia para pensar.

Eu não vou dizer que esse ano foi totalmente bom, mas ele me mostrou que as memórias são escudos, a escrita, uma arma e, o papel, um amigo. Eu encontrei pessoas que me ensinaram coisas boas, que foram embora, que me fizeram amiga da dor e conhecida do amor.

Isso é uma carta aberta. Se soar esquisito, lembra do “aberta”. Eu escrevo às 18h33, com minha mesa arrumada e uma xícara de um café proibido, mas com a mente um pouco nevoada, não por confusão, mas porque por aqui a gente sempre trabalha.

Nesse ano, eu me permiti viver, eu me permiti errar. Porque não importa o quanto tentem nos “endeusar”, somos humanos, que às vezes se perdem, às vezes se encontram e, às vezes também, só sentam no chão e esperam a chuva passar, não por fraqueza, mas por conhecer até onde vão.

Se alguma parte desse texto rimar, talvez seja porque minha mente gosta disso. Se alguma parte estiver incoerente, é porque eu pensei acelerado, até porque isso é normal, mais do que vocês imaginam.

Eu não escrevo para impressionar, eu não escrevo para agradar. Eu escrevo porque talvez exista algo que eu possa fazer com tudo que penso, com tudo que sinto, com tudo que acho que sei.

Eu não tenho respostas prontas para todos os problemas da vida. Até porque, eu nunca passei por todos eles, mas eu tenho o leve pressentimento de que eu não preciso saber tudo, mas estar aberta a tudo.

Eu prolongaria essa carta, se tivesse mil folhas comigo, mas no pouco que escrevi, percebi que não precisamos de um plano concreto para começar algo — só precisamos acreditar que somos suficientes para conclui-lo.

                             Com Amor, Lua.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Formatura — O Melhor e Mais Bonito Dia da Minha Trajetória Escolar.

No post do dia 21 de dezembro, eu mencionei a minha formatura como motivo do atraso. Neste post, falarei sobre tudo que aconteceu (fora e dentro de mim) até chegar ao fatídico dia do evento que marcou profundamente a minha vida.

Antes da Formatura
Quando falaram da formatura pela primeira vez, eu estava animada e queria ser a oradora da turma. A garotinha que sempre quis ser reconhecida estava vibrando dentro de mim, animada para começar a escrever o texto.

Os únicos custo da formatura seriam o vestido e o sapato. Com aquela esperança e otimismo infantil da época dos 15 anos, eu pensei que meu pai conseguiria essas pequenas coisas para meu dia especial.

Não foi assim. Meu pai disse que, nesse dia, ele iria receber um dinheiro e, por estar em cima da hora, não conseguiria comprar o vestido e o sapato. “Então,” — eu pensei — “terei que desistir de ser oradora, porque é melhor desistir logo do que deixar eles na mão caso eu não vá”. A pior parte foi ter que explicar isso para o professor de português, João, que queria muito que eu representasse a turma, e eu senti que ele ficou ligeiramente decepcionado.

Os dias que se seguiram foram tristes e pesados, porque eu realmente queria participar. Não era justo que eu não tivesse meu melhor dia por um motivo tão torpe como a ganância. Meu pai deixou claro que preferia ter uma ceia de natal do que ter que “bancar” minha formatura.

Com isso, alimentei uma nova e profunda mágoa e decepção em relação ao papai, que talvez não mereça esse título. Saber que comida era mais importante para ele do que ver a própria filha se formar foi um golpe que me fez desejar sair de casa logo.

Voltando. Meu pai falou com a coordenadora sobre isso e ela disse que “daria um jeito”. Quando soube disso, estava extremamente pessimista, mas me permiti sonhar com vestidos bonitos e lágrimas de felicidade.

Os dias passaram. Elegeram uma nova oradora, e eu confesso que senti certa inveja. Sentia que, de alguma forma, era para eu estar ali. Mas eu já tinha minha própria decepção e frustração para lidar, então esse sentimento foi esquecido e deu lugar ao reconhecimento de que minha colega tinha capacidade para isso tanto quanto eu.

Em um belo dia, minha professora de CFB, Mara, (que também é a coordenadora) me chamou para experimentar um vestido. O vestido coube, apenas ficou largo no ombro. Mais alguns dias depois, outra professora, Nazaré, me ofereceu um blazer e disse que eu poderia usá-lo na formatura. Eu fiquei feliz e estava mais animada para a formatura.
Só faltava o sapato. A Nazaré trouxe dois saltos oara mim e nenhum serviu. Então, a coordenadora Lourdes disse que me daria um na hora.

Teve a semana de provas adiantada para nossa turma e também os ensaios para a cerimônia. Nos momentos de prova, tivemos momentos muito bons antes do fim. Algumas vezes, levantava a cabeça e observava as pessoas tão diversas, mas com o mesmo amor.

A última semana de aula foi regada de risadas, conversas e apoio. A gente ainda teria um trabalho: o Sarau Literário. Basicamente, precisávamos produzir poemas e artigos de opinião sobre o tema “Identidade Amazônica e Crítica Social”. Admito que, no desespero, eu optei por pegar textos feitos por Inteligência Artificial, mas depois, eu fiz textos de minha autoria, o que me rendeu mais elogios e reconhecimento do que os primeiros textos.

A gente só recorre a algo que faça uma tarefa que é difícil para nós quando acreditamos que não somos capazes de realizá-la. No momento que confiei em minha inteligência, consegui fazer dois artigos de opinião.

O último dia de aula foi incrível. Quando cheguei na sala, estava tudo bonito e decorado. Comidas foram chegando, e eu fiquei ensaiando o que iria falar. Ajudei com várias coisas e, então, o sarau começou. A primeira sala a nos visitar foi o 5º ano, a turma da minha irmã, o que me deixou muito feliz.

Outras salas vieram, eu apresentei e recebi alguns elogios. Eu estava nervosa, gaguejava às vezes, mas me saí bem. Ver e ouvir todas aquelas pessoas me elogiando, prestando atenção às minhas palavras… foi como ter se esforçado por anos e alguém finalmente enxergar você.

O sarau terminou e os professores começaram a entrar na sala. Alguns deles falaram, alunos também… e eu. Eu agradeci a todos eles, principalmente à minha professora de história, Yandra. Graças a ela, voltei a ter acompanhamento psicológico, além de que ela sempre acreditou em mim e nos meus sonhos.

O último dia de aula foi lindo, e só de lembrar, bate uma saudade…
Durante a Formatura 
O dia 20 chegou. Às 15h, eu comecei a me arrumar; tomei banho, penteei meu cabelo, pus meu vestido, o blazer por cima dos ombros e meu humilde tênis branco e rosa. Eu, meu, pai e minha irmã saímos e meu look atraiu bastantes olhares enquanto andávamos.

Demorou um pouquinho para chegar à escola em que ocorreria o evento. Chegamos às 16h30 e ainda não tinha ninguém. Esperamos, tiramos algumas fotos e começou a chegar os meus colegas. Eles estavam muito bonitos e, em todo o momento, eu queria chorar e tentar “eternizar” aquele momento.
A cerimônia começou e algumas pessoas discursaram. Os discursos mais impactantes foram o da minha colega Thayanne, e, o outro, da Yandra.

No momento em que a coordenadora Mara falou, ela disse que tinha um buquê de flores para a turma, mas que uma “aluna” levaria por eles. Ela chamou meu nome e as palmas ecoaram em um reconhecimento da minha capacidade e esforço. Nesse buquê, tinha rosas, tulipas e mais duas flores que não conheço, além de algumas folhas. Nele, veio cinco bombons Ferrero Rocher, os quais eu dividi com a minha família.

Depois, a entrega dos certificados, mais fotos e, então, a Yandra deu para mim e para mais três amigas uma foto que tiramos no dia do sarau (a foto acima) junto com um bombom. Após isso, minha professora de inglês, a Iara, nos deu photocards dos integrantes do BTS (e eu escolhi o Jimin 😌☝️).

O professor de reforço de língua portuguesa, Elizeu, tocou e cantou a música “Pais e Filhos” da Legião Urbana (e eu dancei o finalzinho dela com a professora de matemática, Clarissa). Teve mais fotos, o lanche e fomos embora. Inclusive, a coordenadora Lourdes tinha me oferecido um salto, só que ficou muito apertado, daí eu voltei a usar o tênis. Eu fui a única que tinha um blazer, que estava de tênis, sem maquiagem e sem o cabelo arrumado, o que atraiu comentários de algumas meninas, mas eu não me importei, pois estava muito feliz.

Depois da Formatura
Hoje é a véspera do Natal e faz quatro dias que ocorreu a formatura. Minha estante está decorada com o buquê, que já começou a murchar, e eu estou lendo o segundo filme do livro “Os Miseráveis”. Além disso, coloquei a foto com a Yandra e o photocard no porta-foto.
Foi o ano mais especial e o mais desafiador, que me ensinou a valorizar a humanidade dos outros, o presente e as histórias daqueles que amo. Não poderia pedir presente melhor.

Não foi apenas uma formatura — foi o resultado do meu amor pelas pessoas, da minha dedicação ao estudo e da minha fé em mim.

                             Com Amor, Lua.

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Com Amor, Simon — Despertando Debates sobre a Sexualidade.

          Resenhando Filmes™
Com Amor, Simon é uma história de amadurecimento centrada em Simon Spier, um adolescente de 17 anos que leva uma vida aparentemente comum: ele tem uma família amorosa, amigos leais e um futuro promissor. No entanto, Simon guarda um segredo: ele é gay, mas ainda não contou para ninguém.
A trama se intensifica quando Simon começa a trocar e-mails anonimamente com um colega de escola que utiliza o pseudônimo "Blue". Através dessa mensagens, os dois compartilham suas inseguranças e anseios, criando uma conexão profunda sem nunca terem se visto.
O conflito principal surge quando um colega de classe descobre essas mensagens e começa a chantagear Simon, ameaçando expor sua sexualidade para toda a escola. Agora, Simon precisa aprender a lidar com as pressões do ensino médio, proteger sua identidade e descobrir quem é o misterioso "Blue", tudo isso enquanto busca a coragem necessária para ser quem ele realmente é.”

Quando Assisti?
Em alguma noite do mês de junho de 2022, a emissora Globo, em homenagem ao Mês do Orgulho LGBTQIAPN+, transmitiu esse filme e eu o vi, (mesmo sabendo que eu deveria dormir para a aula do dia seguinte).

O que Significou para Mim?
Nesse ano, eu estava confusa quanto à minha identidade sexual, se eu era heterossexual, lésbica ou bissexual. Então… assistir a esse filme foi como alguém dizer em meio à neblina: “Eu te vejo e te entendo”. Embora o Simon não tenha tida confusão quanto à sexualidade, eu senti que me mostrar ao mundo poderia levar tempo e que eu não deveria apressá-lo.

Qual Foi o Momento Mais Marcante?
A parte mais marcante foi o post que Simon escreveu depois de tudo. Quando ele falou que dizer quem se é ao mundo é assustador, porque, e se o mundo não gostar da gente? Então, foi o momento mais bonito, além da bela e magnífica cena da roda-gigante, claro.

O que Aprendi e Minhas Reflexões 
No começo do filme, dá para perceber que Simon quase que prendia o ar para que ninguém soubesse que ele é gay. Isso me faz pensar que é mais trabalhoso ser uma farsa do que ser você mesmo, mas sempre escolhemos o segundo porque o primeiro é frágil e assustador.

Eu gosto muito do Ethan por ser forte e se defender daqueles idiotas. Ele não apareceu tantas vezes, mas conseguiu impactar e ser um dos meus personagens favoritos no pouco que teve.

As partes mais tristes são as coisas que se seguem depois que Martin vaza os e-mails do Simon com o Blue. Mas depois… as coisas se reconstroem lentamente, mostrando que sempre há recomeços.

Então, sim, é asssutador dizer quem você é ao mundo, mas também é um ato — de coragem, de heroísmo e de amor.

                             Com Amor, Lua.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Meu Coração Ainda Vai Pulsar — Um Poema sobre Sonhos Partidos.

             Poesias Luásticas™
Por Trás do Poema 
Há alguns meses, fiz um desafio comigo mesma para escrever poemas a partir de trinta temas e um desses temas era “Sonhos Partidos”. Nesse poema, explorei os sonhos que abri mão e minha relação com isso.

🫀 Meu Coração Ainda Vai Pulsar
“Qual é seu sonho?”
“Quero ser barista!”
“Você vai conseguir!”,
Esse foi o diálogo que tive na infância.

Mas eu cresci.
E com o crescimento vem o esquecimento,
Com o esquecimento vem o impedimento
E a acreditar em mim
Eu desaprendi.

O sonho se partiu,
Outro surgiu,
Mas meu coração ainda vai pulsar
Por algo que eu não posso alcançar.

Talvez seja melhor assim:
Meu coração ainda vai pulsar 
Por algo que eu não posso alcançar 
E talvez esse seja meu fim.

🤔💭 Pensando Poeticamente 
Antes de pensar em ser terapeuta, eu queria ser barista, ou seja, alguém especializado em café. Esse sonho era algo que me movia para estudar e me dedicar na escola.

Então, infelizmente, eu me tornei cristã, e com isso, comecei a sonhar em ser teóloga. Depois da minha “desconversão”, eu comecei a querer ser terapeuta e escritora, além de querer cursar várias coisas, como jornalismo e artes cênicas.

Eu ainda penso no meu antigo sonho. Ainda quero realizá-lo, porque ele se foi por algo que também foi embora. Então… não desista do que é importante para você. Siga-os e realize-os — por você e por mim, que acredito em ti.

                             Com Amor, Lua.

domingo, 21 de dezembro de 2025

Escolas de Pensamento e O que Eu Sei (e Penso) sobre Elas.

           Psicologia em dia™
Nessa semana, estudei algumas escolas de pensamento, em especial, as seis maiores da Psicologia: Estruturalismo, Funcionalismo, Behaviorismo, Gestalt, Humanismo e Psicanálise. Como uma forma de apreender o que estudei e transmitir conhecimento, vou falar tudo que sei sobre cada escola de pensamento e apresentar minhas opiniões sobre elas. Divirtam-se com a minha alegria!

🧠 1. Estruturalismo 
Criado por Wilhelm Wundt e Edward Titchener, o Estruturalismo visava entender a estrutura da mente consciente, decompondo-a em elementos mais básicos. Ela fazia uso da Introspecção Experimental, o que gerava críticas por ser um método subjetivo e não replicável.

Particularmente, eu concordo que entender do que a mente é feita é mais importante do que entender como ela funciona e que o método instrospectivo é, sim, válido. Mas não concordo em decompor a mente, porque a entendemos como um todo.

💬 2. Funcionalismo 
Feita por nosso querido — e odiado — William James, o Funcionalismo procurava entender como os processos mentais e o comportamento ajudam o organismo a se adaptar ao ambiente, teoria fortemente influenciada por Charles Darwin.

Nesse ano, estudei a Teoria da Evolução de Charles Darwin, e… bem, e eu odiei ele (mas tirei 10 na prova). O Funcionalismo é importante, admito, mas ele foi o precursor do Behaviorismo, e eu não suporto o Skinner. Além de que só focar na função soa desumano para mim.

🐭 3. Behaviorismo 
Fundado por John B. Watson, o Behaviorismo muda o foco da Psicologia que estava na mente para somente o comportamento. Há também a participação de Pavlov e de Skinner nos Condicionamento Clássico e no Condicionamento Operante, respectivamente.

Em minha humilde opinião, isso é totalmente desumano e meio restrito demais. O brilho da Psicologia é justamente estudar a mente, o que nela se passa… tirar isso é “desalmar” a ciência psicológica.

💠 4. Gestalt 
Proveniente da Alemanha, ela surgiu em reação ao Estruturalismo e Behaviorismo, que viam os processos mentais em partes isoladas. Seu foco é o estudo da percepção e sua frase central é: “O todo é maior do que a soma das suas partes”.

Gosto da Gestalt, porque ela acredita que a mente organiza as sensações em formas (em alemão, Gestalten) coerentes e significativas, seguindo princípios inatos. Ela é a escola de pensamento mais fácil de entender.

🫂 5. Humanismo
Foi uma reação ao determinismo da Psicanálise e ao Behaviorismo. O foco era no potencial interior de cada indivíduo. As Teorias Chave eram a Terapia Centrada no Cliente por Carl Rogers e a Hierarquia das Necessidades de Abraham Maslow.

Ela é humana e empática, está mais que óbvio que seria minha escola preferida. Um dos motivos que tenho para gostar dela é que uma psicóloga que marcou minha vida usou a Terapia Centrada no Cliente. Amo-a como amei o Humanismo.

💣💞 6. Psicanálise 
Para finalizar, falaremos da linda — e polêmica — escola de pensamento criada pelo nosso digníssimo Sigmund Freud. Ele mudou o foco para a mente e o comportamento inconsciente, nos apresentando os níveis de consciência e a estrutura da personalidade.

Embora foque muito em patologias, gosto de entender o subconsciente e os nossos mecanismos de defesa. Ele pode ser odiado — e meio “desmaião” —, mas não errou quando criou a Psicanálise.

Bom, essa foi só a primeira semana, mas já entendi que é necessário pensar criticamente sobre tudo e discordar daquilo que não condiz com o que acreditamos.

                             Com Amor, Lua.

P. S.: Era para esse post ser publicado no sábado, mas, por conta da minha formatura (que eu vou contar como foi em outro post), saiu apenas hoje. Ótimo domingo para todos!

sábado, 20 de dezembro de 2025

Carta — Para Você, Quando Crescer.

Eu sempre gostei de escrever cartas, mas elas sempre eram endereçadas para os outros. Inspirada no livro “Os Trabalhadores do Mar” de Victor Hugo e, em especial, no título “Para sua mulher, quando te casares”, escrevi uma carta para mim, só que mais crescida.

📭💌 Para Você, Quando Crescer
“Marituba, 29 de setembro de 2025.
À Luana, minha sobrevivente.

Você não sabe a força que tem. Hoje foi um dia extremamente difícil para você, mas você suportou tudo com graça, resiliência e coragem.
Sim, eu também queria que as coisas mudassem, que o sol fosse embora, que a chuva refrescante voltasse… mas você sabe que a realidade não colabora.
Você se sente distante desse mundo, porque você vive mais dentro do que fora da própria mente. Você se sente sufocada até quando respira, você se sente afogada mesmo sem água, você se sente deslocada em todo lugar.
Eu queria poder te dizer que as coisas vão melhorar, que tudo ficará suportável… mas não posso te dar falsas esperanças, não posso te fazer voar para depois se machucar.
Eu sei que dói, eu sei que parece injusto… tudo que eu posso dizer é: você não vai se perder. Você não vai sucumbir, você não vai deixar que o mundo apague a beleza que há em ti.
Por isso, conte comigo, Lua. Você merece viver da forma como quer, com quem quiser.

Com carinho,
L. A.”

É um exercício legal escrever para si. Talvez nossos melhores destinatários sejam nós mesmo — a gente responde e assina embaixo.

                             Com Amor, Lua.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Talvez Seja Bom Sentir — Eu Só Não Cheguei Nessa Parte Ainda.

         Rascunhos da Alma™
A frase que intitula este post veio do meu diário, Luzzy. Eu estava em um estado de profundo pensamento e confusão. Por isso, falarei exatamente disso: sentir, mas não se sentir feliz por sentir.

💝 Sentir é Bom?
Eu sempre achei incrível sentir, mesmo que isso viesse acompanhado de muita dor e choro. É difícil sentir, mas é melhor que ser indiferente e fria. Então, não trocaria isso por nada.

De qualquer jeito, parece que não sou bem “recompensada” por sentir. As pessoas nunca têm consideração com o que sinto, o que faz eu estar à beira de me tornar uma pessoa amarga. Mas eu não consigo me transformar nisso. Eu não vou ceder às pressões, não importa o que ou quem tente fazer esse jogo virar.

Não é legal ter tanto sentimento no mundo em que vivemos, não é legal se importar tanto num mundo desimportante. Talvez o ódio e a amargura sejam boas “armas”, mas eu sou contra a esse “armamento”.

Sentir pode ser mágico, nas ultimamente, sentir tem sido pesado e doloroso. Tenho sentido desinteresse em coisas que me faziam feliz, tenho sentido um tipo de apatia a tudo ao meu redor, tenho sentido a montanha da minha esperança desmoronar. Eu odeio ter que fazer essas reflexões às 20h, sozinha, sem nenhum adulto decente para me ajudar com esse nó no meu peito.

Não odeio sentir. Odeio que ninguém esteja aqui para me ajudar a atravessar meus sentimentos. Falam tanto sobre companhia e solidão, que quando alguém precisa, ninguém está lá. Não odeio sentir — odeio esse desamparo.

P. S.: Foi uma noite turbulenta, mas estou melhor.

                             Com Amor, Lua.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Leitura — Meu Refúgio Secreto.

Desde meus doze anos, tenho sido uma leitora ativa, embora tenha passado por altos e baixos na vida. Neste post, falarei sobre como me apaixonei pelo que hoje considero meu mundo.

📚 Primeiro Livro 
Na verdade, a primeira leitura que tive foi a caderneta de nascimento (que continha as fases do bebê, o que ele fazia...) do meu irmão. Mas minha leitura oficial foi o livro “A Esperança é Uma Torta de Maçã”, de Sarah Moore Fitzgerald, uma escritora  irlandesa. Nesse livro, aprendi sobre esperança e amizade, temas propostos na sinopse.

Confesso que, pela minha sensível jovialidade, eu chorei muito com esse livro, mas fiquei feliz que terminou bem.

Mas aí, outra paixão me atingiu...

📝 Paixão por Jane Austen
Como falar de leituras sem incluir minha inspiração? Pois é, ela tá aqui. Jane Austen foi a pessoa que influenciou tudo que sei e meu estilo de escrita.

Eu era uma adolescente ingênua, que queria viver um romance de qualquer jeito, então, eu apelei para os livros. Posso dizer com todo orgulho que li Emma, Razão e Sensibilidade, Mansfield Park, Persuasão e A Abadia de Northranger. Foram meus maiores passatempos e, desde então, só evoluiu. Mas…

😞💔 Decepção com Autoajuda
Sempre temos algo amargo para falar deste assunto. Mas sim, eu tentei ler esse maldito gênero. Como sabe-se, eu odiei e não vou dedicar mais que um parágrafo, porque o blog é meu e pronto 😌😒☝️.

📚✍️ Paixão pela Leitura, Inclinação para a Escrita.
Somos seres influenciáveis, não? Então, a leitura influenciou como eu enxergo a escrita. Antes, era um fardo escrever, mas agora, eu posso infartar se não tiver uma caneta e papel.

Muito do que escrevo é proveniente da leitura, pois aprendemos com a teoria (leitura) e usamos na prática (escrita). Eu devo meus textos à Sarah e Jane, pois sem elas e sua coragem, eu nunca estaria aqui.

Espero que vocês, caros leitores, possam ter se inspirado em mim e que se tornem brilhantes em qualquer área — pois todas envolvem leitura e escrita.

                             Com Amor, Lua.

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Explorando Luzzy — A História do Meu Querido Diário.


“Enfim, isto não será um ‘adeus’; será um ‘até o dia que terei outro diário’, que espero sem demora. Luzzy, minha doce Zy, lembre-se de mim e espere ansiosamente pelo dia que poderemos conversar — eu escrevendo, você, lendo.”

Esse foi o último parágrafo que escrevi em meu diário no dia 13 de setembro, faltando três dias para completar cinco meses que eu tinha a Luzzy. Obviamente que continuo escrevendo virtualmente, mas nós, escritores, sabemos — e como! — que nada se compara a escrever manualmente.

Com isso, este post mostrará minha linda jornada com esse diário, com direito à foto, a trechos e à história. Divirtam-se!

❓❔Como e Quando Ganhei?
Eu estava há dois meses e treze dias sem escrever manualmente e isso me agoniava ao extremo. Então, em uma quarta-feira, 16 de abril, uma amiga — que aqui chamarei de “K. J” — me deu esse diário. Eu ainda era cristã e eu não me orgulho do que escrevia no começo.

✍️❔ Quando Escrevia?
Naturalmente, eu escrevia sempre que tinha tempo livre e quando eu sentia vontade. Por isso, às vezes, passava dias sem escrever e, outras, eu escrevia três ou quatro páginas.

🪞💭 Trechos e Reflexões 
20/04: “Acho que estou sendo dura demais comigo, né? É inevitável, já que estou totalmente cansada e eu não sei como colocar isso para fora se não for me apedrejando.” — Percebe-se que eu era muito autodestrutiva.

14/05: “Às vezes, eu penso que seria melhor não ser tão responsável assim e viver de qualquer jeito. Eu só tô cansada e quero abrir mão de tudo, mesmo sabendo que isso não é possível — a não ser que eu morra.” — O cansaço faz isso com a gente...

05/06: “Não sei atuar nessa vida e eu pago caro por isso, mas talvez seja bom sentir — eu só não cheguei nessa parte ainda.” — Já cheguei, ainda bem.

22/07: “P. 25 [de O Diário de Anne Frank] (Sábado, 7 de Novembro de 1942): “Eu só que eu gostaria de sentir que o papai realmente me ama, não porque eu sou filha dele, mas porque eu sou eu, a Anne.” — Precisava morrer mais um pouquinho com a veracidade dessa frase.

18/08: “Segundas-feiras tendem a ser péssimas.” — Autoexplicativo.

12/09: “Mas coisas me faltam. Eu queria mais carinho, queria mais compreensão; as pessoas dizem que eu tenho tudo, mas e quanto ao meu coração?” — Não acho que eu esteja sendo exigente...

Como Surgiu o Nome?
Por causa de Anne Frank e sua Kitty, eu criei a Luzzy, que é a junção de Lizzy e Lu:

            Lizzy + Lu = Luzzy.

Foi um dos diários mais importantes da minha vida, que me fez valorizar linhas, tinta e papel. Eu espero, portanto, que todos encontrem acolhimento — em mim ou em papéis.

                             Com Amor, Lua.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Acreditar — Um Poema sobre Ceticismo

             Poesias Luásticas™

✍️💜 Processo Criativo do Poema 
Era segunda-feira, a velha e aconchegante segunda, e eu não lembro se houve aula, mas sei que eu estava exausta. O bom desses momentos é que transformo o meu sofrer em arte, como este poema:

                    Acreditar
Faz tempo que um poema não sai da minha caneta.
Será que a escrita,
Para mim,
Se tornou obsoleta?

Não, não se tornou.
Mas com tudo que vem acontecendo,
Minha criatividade atrofiou.

Eu tento acreditar em mim,
Que eu posso ser reconhecida pelo que escrevo,
Que eu também mereço,
Que talvez a poesia em mim não tenha fim.

Então… se os poemas forem ruins,
Se eu sou tão desinteressante assim…
Que motivos eu teria para acreditar em mim?

🔍 Interpretação de Mim
Iria fazer quase um mês que eu não escrevia poemas, porque sempre estava cansada da vida. Eu escrevia em meu diário virtual, mas sabemos que não é a mesma coisa.

Então, comecei a duvidar do meu talento para a escrita e, no íntimo, eu temia ter perdido o amor por escrever. Mas não perdi; eu só precisava de descanso.

Uma vez, Anne Frank disse que “se não tinha talento para escrever para jornais ou livros, ainda poderia escrever para si mesma”. Eu acredito nisso, que talvez o meu talento seja para mim, não para os outros.

Não sei para quem escrevo. Não sei quem me lê. Mas sei que faço tudo isso porque ainda acredito que palavras podem mudar o mundo, mesmo que elas venham de uma garota de quinze anos.

Embora seja um poema cético, “acreditar” nunca foi sobre ter tudo certo ou garantido; acreditar é um ato de rebelião e independência contra os que não acreditam em nosso talento, um manifesto.

« Acredite em você. Mesmo sem saber o por quê. »

                             Com Amor, Lua.

domingo, 14 de dezembro de 2025

O Dominó Preto de Florbela Espanca — A Exploração de Femme Fatale.

        Resenhas por Lua™

🔍 Quem Foi Florbela Espanca?
Florbela Espanca (1894—1930) foi uma das vozes mais intensas e marcantes da literatura portuguesa do início do século XX. Conhecida sobretudo por sua poesia de tom lírico e confessional, Florbela explorou temas como o amor, a solidão, o desejo, a dor existencial e a busca por liberdade interior, tornando-se uma figura central do modernismo português.
Embora seja lembrada principalmente como poeta, Florbela também escreveu em prosa. Um dos exemplos é O Dominó Preto (publicado postumamente em 1982), um conto que revela sua sensibilidade literária além da poesia. Nele, a autora combina a atmosfera intimista e imagética com reflexões profundas sobre a condição humana, mantendo o mesmo tom emocional intenso que caracteriza sua obra poética.

✍️ Marcações (ou partes pensantes)
P. 8 (Sobre Florbela): “O Dominó Preto é o primeiro livro de contos preparado por Florbela, mas foi o último a ser publicado. Apesar de ter dito que só sabia “pensar em versos e sentir em versos”, ela escreveu seu primeiro conto, “Mamã”, antes dos 13 anos de idade, e até os 33 escreveu, possivelmente, mais outros três contos, contidos no caderno manuscrito Trocando Olhares: “A oferta do destino”, “Amor de sacrifício” e “Alma de Mulher”. (Muito atarefada).

P. 24 (Sobre D. Laura Corte Real): “Esquecia-se de que o destino é só um para cada ser e que ninguém, nem as mães, o podem mudar!. (Há coisas que os filhos precisam passar sozinhos, mesmo que isso doa nas mães...).

P. 32-33 (Pensamentos de João Eduardo sobre Helena): “João Eduardo caminhava devagar. Os olhos de Helena, aqueles grandes olhos límpidos que o tinham envolvido, um segundo, numa carícia tímida, pareciam interrogá-lo na sombra.
“Sim”, respondia-lhes, “é possível que eu venha a amar-vos, doces olhos eloquentes que me confiastes o vosso segredo, tudo é possível!” E para mãe dos seus filhos, rainha do seu lar, que melhor poderia escolher que a dona daqueles olhos? O coração a pouco e pouco preso naquele enleio de que sempre falaram poetas, caminharia pela vida fora, devagarinho, sossegadamente, com aquela suave cabeça de mulher encostada ao peito, sem medo à vida, sem recear traições nem amarguras, desilusões nem remorsos... e os lábios murmuravam-lhe, sem que ele tivesse consciência disso, vagamente absorto no delinear dum sonho, o doce nome que principiava amar: Helena!. (O trecho mais bonito e fofo do livro).

P. 47 (Sobre o ambiente): “As grandes flores dos cretones claros davam ao pequeno aposento um ar alegre de festa íntima. (Amei).

P. 54 (Visitante da Poetisa): — As almas das poetisas são todas feitas de luz, como as dos astros: não ofuscam, iluminam... (Concordo, porque sou uma).

P. 56 (Autoexplicativo): “Ah, se as paredes pudessem falar!(Eu seria menos solitária...).

P. 57 (Sobre o Amor): “É nestas almas simples que o amor é mais puro e mais forte. (Verdade!).

P. 75 (Manuel): “O amor, por perfeito que seja, como o nosso, não se contenta de migalhas: quer tudo! (Por isso que é melhor ter nada em vez de pouco).

P. 78 (Pensamentos de Cristina): “Que importava o mundo, os seus preconceitos idiotas, as suas leis inumanas e ilógicas? O amor era mais forte que tudo, vencera tudo! (Concordo).

P. 82 (Cristina): “— Tudo se derrete neste mundo… (E eu pensando que ia acabar bem…).

P. 84 (Cão fofo porque sim): “O cão ergue a cabeça e envolveu-a numa carícia humilde dum olhar quase humano, agradecido e feliz; [...]. (Único personagem que exala a perfeita felicidade).

P. 99 (Sobre o compadre Gabriel): “Que havia ele de dizer àquele pai?… Como havia de dizer àquele desgraçado que já não tinha filho?… Em que túmulo fechado iria ele transformar aquela casa, adormecida na feliz expectativa do regresso do herdeiro que lhe transpusesse os umbrais?!… (Sem palavras).

P. 127 (Autoexplicativo): “[…] ‘o artista não cria como vive, mas vive como cria.’. (Identificável).

📜 Experiência Pessoal
No dia 22 de setembro, depois de uma semana, eu terminei esse livro, que me fez pensar muito nesse conceito de femme fatale, e de como as paixões podem ser avassaladoras e desenfreadas.

O fato de nenhuma história ter um final totalmente feliz não me surpreende: tudo que retrata a humanidade nunca acaba totalmente bem.

                             Com Amor, Lua.

sábado, 13 de dezembro de 2025

Cães e Humanos: Como a Criação Pode Afetar a Vida Adulta.

             Psicologia em Dia

Introdução de um Novo Tema.
Eu sou alguém apaixonada por Psicologia, então eu acho certo falar sobre isso nesse blog. Obviamente, vou falar apenas coisas baseadas na ciência e nas minhas reflexões sobre o assunto, mas nada que eu não saiba ou que seja mentira.

Numa manhã quase ensolarada do dia 9 de setembro, eu estava caminhando para a escola com minha irmã e meu pai. Como ela é mais calada pela manhã, eu conversava com meu pai sobre questões emocionais. Passamos por vários cachorros durante o trajeto, alguns rosnavam, outros latiam e outros nos ignoravam.

Então, vendo todos esses comportamentos diversos, refleti que cada um deles via o mundo de um jeito por causa da forma como foram criados. Nesse post, falaremos sobre como a criação afeta nossa vida, como o externo influencia o interno.

Pesquisa e Fatos Científicos.
🐶 Influência da Criação no Comportamento Canino
O comportamento de um cão é determinado por uma interação complexa entre genética e ambiente (criação/experiências). Pesquisas recentes sugerem que o ambiente e a criação podem desempenhar um papel até mais significativo do que a raça pura na determinação da personalidade de um cão.

Fatores Chave da Criação e Ambiente:
Socialização Precoce: A exposição a diversos estímulos (pessoas, etnias, idades, ambientes, ruídos, outros cães) nos primeiros meses de vida é fundamental. Uma socialização adequada prepara o cão para lidar melhor com novas situações, tornando-o mais adaptável e menos ansioso.
Qualidade do Treinamento e Interações: O uso de reforço positivo (recompensar bons comportamentos) é crucial para moldar o temperamento. O treinamento consistente e interações positivas com humanos e outros animais atenuam ou amplificam tendências comportamentais herdadas.
Ambiente e Dinâmica Familiar: O estresse, a rotina e o comportamento do tutor influenciam diretamente a personalidade e as emoções do cão. Tutores emocionalmente equilibrados tendem a criar cães mais equilibrados. Cães que vivem em ambientes estáveis e seguros desenvolvem maior confiança.

Experiências de Vida: Traumas, abusos ou negligência podem levar a medos excessivos, reatividade elevada e comportamentos compulsivos na vida adulta, exigindo cuidados diferenciados.
Em resumo: Embora a genética estabeleça um "esboço" do comportamento (ex: tendências de caça em Terriers ou facilidade de treinamento em Retrievers), é o ambiente que define a obra final. A socialização e o treinamento são determinantes para o desenvolvimento emocional e a adaptação social do cão.

Referências para Comportamento Canino:
Morrill et al. (2022). Genomic Variation in Dogs Is Associated with Canine Behavioral Traits. Science (Artigo que sugere que apenas cerca de 9% das diferenças de personalidade entre cães estão relacionadas à raça, com o ambiente desempenhando um papel maior).
Alexandra Rossi (Dr Pet). A criação influencia no comportamento dos cães? (Vídeo Short do YouTube sobre o tema, enfatizando a socialização e o reforço).
Petgenoma. Fatores que interferem no comportamento dos cães. (Artigo de blog com a opinião de especialistas).

🧑 Influência da Infância na Vida Adulta em Humanos
A infância é o período mais crítico para o desenvolvimento da estrutura da personalidade, da regulação emocional e dos padrões de relacionamento. As experiências vividas nos primeiros anos moldam o indivíduo na fase adulta.

Aspectos Principais da Influência:
Formação da Personalidade e Autoestima: A qualidade dos vínculos afetivos, o afeto, os limites bem estabelecidos e os exemplos positivos dos cuidadores (parentalidade) são centrais. Uma base segura de apego promove a confiança em si e nos outros, enquanto a negligência ou a humilhação danificam a autoestima e a identidade.

Impacto no Comportamento e na Saúde Mental:
Adversidades/Traumas: Abusos (físicos, emocionais, sexuais), negligência ou estresse tóxico na infância são fatores de risco significativos. Podem levar a traumas não resolvidos, resultando em ansiedade, depressão, dificuldades de concentração, transtornos psíquicos e até problemas de saúde física na vida adulta.
Modelagem de Respostas: Observar como figuras de referência enfrentam adversidades constrói um repertório de resiliência e flexibilidade. A ausência desse modelo pode resultar em dificuldades na resolução de problemas.
Tomada de Decisão e Valores: Os princípios éticos e morais transmitidos na infância, bem como o incentivo à autonomia (tomar pequenas decisões), formam a base das escolhas na vida adulta, influenciando a capacidade de liderança, a assertividade e as habilidades de adaptação.
Em resumo: A criança que fomos, com suas feridas e alegrias, ressoa na vida adulta. As experiências da infância (emocionais, sociais e traumáticas) influenciam a neuroplasticidade cerebral, afetando a forma como o adulto responde ao estresse e se relaciona com o mundo e consigo mesmo.

Referências para a Influência da Infância:
Marmot, M. (2004). The Status Syndrome: How Social Standing Affects Our Health and Longevity. (Trabalho que destaca as consequências longitudinais das desigualdades sociais e do estresse precoce na saúde ao longo da vida, mencionando a "carga alostática").
Aberastury, A., & Knobel. M. (1980). Adolescência normal. Porto Alegre: Artes Médicas. (Clássico da psicologia que aborda o desenvolvimento).
Erikson, E. (1976). Identidade, juventude e crise. Rio de Janeiro: Zahar. (Obra fundamental sobre o desenvolvimento psicossocial e a formação da identidade).
Habib K. (2001). Neuroendocrinology of Stress. Endocrinol. Metab Clin North Am. (Trabalho científico que discute a neurobiologia da resposta ao estresse e a importância de proteger crianças do trauma).
Drieu, D., & Rebelo, T. (2015). Considerações sobre os sofrimentos da infância e a passagem para a idade adulta a partir da experiência das terapias psicanalíticas familiares. Pepsic. (Artigo com perspectiva psicanalítica).
Borges e Pacheco (2018). Pesquisa sobre prevalência de sintomas depressivos em crianças e adolescentes. (Estudo que relaciona afeto e suporte familiar com menor sintomatologia depressiva).

Minha Visão 
Embora sejamos considerados “superiores”, não somos diferentes dos cães nessa questão. Se eles viverem em um lar acolhedor e amoroso, refletirão isso, assim como se eles viverem em um lar instável, e isso não muda conosco. Apesar de haver o impacto negativo, existe a plasticidade, ou seja, eles podem aprender novos padrões se expostos a ambientes saudáveis, o que significa que ainda há chances de salvar sua percepção do mundo.

A meu ver, todos — animais e humanos — deveriam crescer em lares amorosos e seguros, mas sabemos que isso nem sempre é a realidade. Se você cresceu em um lar instável, saiba que isso não determina quem você será ou qual lar você dará a seus filhos. Você ainda pode decidir não repetir os padrões e dar estabilidade àqueles que, como você, precisam disso.

Pensar em mim como terapeuta daqui a um tempo me faz ter um senso de responsabilidade com tudo e todos. A infância — humana ou canina — deveria ser a fase mais nobre de qualquer existência, mas sabemos que, muitas vezes, ela é disfuncional e traumática.

Por isso, torna-se necessário desmitificar a ideia que “terapia é coisa de gente doida”. Não, terapia é coisa de gente que quer se curar sem machucar o outro, de pessoas que querem florescer sem roubar o sol de ninguém.

« O afeto é o fio invisível que guia tanto patas quanto passos. »

                             Com Amor, Lua.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

“Minhas Palavras” — O poema mais metalinguístico feito por mim

             Poesias Luásticas™

Contexto Poético 
Em uma terça-feira entediante — 17 de junho —, eu escrevi esse poema despretensiosamente, mas ele se tornou minha referência de metalinguística. Leiam e chorem.

              Minhas Palavras 
Palavras, palavras,
Eu tenho tantas palavras!
Mas por que ninguém quer escutá-las?
Eu deveria parar de falá-las?

Eu sei, elas não são tão bonitas como eu gostaria,
Mas sempre disseram que a verdade doeria.
Talvez eu pudesse enfeitá-las,
Mas aí não seriam palavras.

Talvez ninguém esteja pronto para escutar, 
Talvez ninguém queira realmente ajudar,
Mas eu tornarei a falar
E, na escrita, desabar.

São minhas palavras, afinal,
Eu sou a personagem principal 
Eu não ligo pra tua opinião,
Só preciso ouvir meu coração.

“Definição de Função de Linguagem Metalinguística: É quando um texto ou obra utiliza a própria linguagem ou um código para se referir a ele mesmo, explicando-o. A função metalinguística ocorre quando o código é o tema da mensagem.”

Minha Percepção Poética 
Eu lembro que estudei função da linguagem nesse ano e confesso que, nesse dia, eu não estava muito concentrada em aprender. Mas nesse poema, sem saber, eu fazia uso do que estudei, então, talvez eu tenha conseguido entender o assunto.
Eu cresci sendo uma pessoa silenciosa, então talvez seja por isso que tenho tanta dificuldade em me expressar e, quando o faço, não sou ouvida. 

“Mas o problema está em mim por querer falar a quem não ouve?” Acho que não. A gente costuma falar para quem confiamos, e às vezes, não depositamos essa confiança nas pessoas certas. A gente se decepciona com essas pessoas que deveriam nos ouvir, mas preferem julgar ou simplesmente não ligar.

Daí, a gente tenta se acomodar nisso, de nunca ser ouvido, sem levar em consideração que isso dói mais que a própria rejeição de quem não quer nos ouvir. A gente tenta "avisar" o coração, prepará-lo para ser decepcionado novamente e não percebemos que estamos perdendo o sentimento mais lindo da humanidade: a esperança.

Sempre vamos ter decepções. Não há meios de evitar ou se preparar para elas. Então, talvez o melhor, embora doa, seja continuar nutrindo esperanças na vida, em si, no mundo. Esperar sempre o pior sempre nos mata aos poucos.

Por isso, talvez esse poema seja sobre continuar falando, mesmo que ninguém escute. Seja sobre continuar acreditando, mesmo temendo se decepcionar de novo. Seja sobre continuar vivendo, ainda que não saibamos o que será de nós amanhã.

                             Com Amor, Lua.

🌙 Aleatoriedades Cotidianas 🪄

Rascunhos da Alma ★™ Pela manhã, acordei cedo, tomei um banho frio, me vesti com minha calça jeans, minha blusas de botões branc...