domingo, 14 de dezembro de 2025

O Dominó Preto de Florbela Espanca — A Exploração de Femme Fatale.

        Resenhas por Lua™

🔍 Quem Foi Florbela Espanca?
Florbela Espanca (1894—1930) foi uma das vozes mais intensas e marcantes da literatura portuguesa do início do século XX. Conhecida sobretudo por sua poesia de tom lírico e confessional, Florbela explorou temas como o amor, a solidão, o desejo, a dor existencial e a busca por liberdade interior, tornando-se uma figura central do modernismo português.
Embora seja lembrada principalmente como poeta, Florbela também escreveu em prosa. Um dos exemplos é O Dominó Preto (publicado postumamente em 1982), um conto que revela sua sensibilidade literária além da poesia. Nele, a autora combina a atmosfera intimista e imagética com reflexões profundas sobre a condição humana, mantendo o mesmo tom emocional intenso que caracteriza sua obra poética.

✍️ Marcações (ou partes pensantes)
P. 8 (Sobre Florbela): “O Dominó Preto é o primeiro livro de contos preparado por Florbela, mas foi o último a ser publicado. Apesar de ter dito que só sabia “pensar em versos e sentir em versos”, ela escreveu seu primeiro conto, “Mamã”, antes dos 13 anos de idade, e até os 33 escreveu, possivelmente, mais outros três contos, contidos no caderno manuscrito Trocando Olhares: “A oferta do destino”, “Amor de sacrifício” e “Alma de Mulher”. (Muito atarefada).

P. 24 (Sobre D. Laura Corte Real): “Esquecia-se de que o destino é só um para cada ser e que ninguém, nem as mães, o podem mudar!. (Há coisas que os filhos precisam passar sozinhos, mesmo que isso doa nas mães...).

P. 32-33 (Pensamentos de João Eduardo sobre Helena): “João Eduardo caminhava devagar. Os olhos de Helena, aqueles grandes olhos límpidos que o tinham envolvido, um segundo, numa carícia tímida, pareciam interrogá-lo na sombra.
“Sim”, respondia-lhes, “é possível que eu venha a amar-vos, doces olhos eloquentes que me confiastes o vosso segredo, tudo é possível!” E para mãe dos seus filhos, rainha do seu lar, que melhor poderia escolher que a dona daqueles olhos? O coração a pouco e pouco preso naquele enleio de que sempre falaram poetas, caminharia pela vida fora, devagarinho, sossegadamente, com aquela suave cabeça de mulher encostada ao peito, sem medo à vida, sem recear traições nem amarguras, desilusões nem remorsos... e os lábios murmuravam-lhe, sem que ele tivesse consciência disso, vagamente absorto no delinear dum sonho, o doce nome que principiava amar: Helena!. (O trecho mais bonito e fofo do livro).

P. 47 (Sobre o ambiente): “As grandes flores dos cretones claros davam ao pequeno aposento um ar alegre de festa íntima. (Amei).

P. 54 (Visitante da Poetisa): — As almas das poetisas são todas feitas de luz, como as dos astros: não ofuscam, iluminam... (Concordo, porque sou uma).

P. 56 (Autoexplicativo): “Ah, se as paredes pudessem falar!(Eu seria menos solitária...).

P. 57 (Sobre o Amor): “É nestas almas simples que o amor é mais puro e mais forte. (Verdade!).

P. 75 (Manuel): “O amor, por perfeito que seja, como o nosso, não se contenta de migalhas: quer tudo! (Por isso que é melhor ter nada em vez de pouco).

P. 78 (Pensamentos de Cristina): “Que importava o mundo, os seus preconceitos idiotas, as suas leis inumanas e ilógicas? O amor era mais forte que tudo, vencera tudo! (Concordo).

P. 82 (Cristina): “— Tudo se derrete neste mundo… (E eu pensando que ia acabar bem…).

P. 84 (Cão fofo porque sim): “O cão ergue a cabeça e envolveu-a numa carícia humilde dum olhar quase humano, agradecido e feliz; [...]. (Único personagem que exala a perfeita felicidade).

P. 99 (Sobre o compadre Gabriel): “Que havia ele de dizer àquele pai?… Como havia de dizer àquele desgraçado que já não tinha filho?… Em que túmulo fechado iria ele transformar aquela casa, adormecida na feliz expectativa do regresso do herdeiro que lhe transpusesse os umbrais?!… (Sem palavras).

P. 127 (Autoexplicativo): “[…] ‘o artista não cria como vive, mas vive como cria.’. (Identificável).

📜 Experiência Pessoal
No dia 22 de setembro, depois de uma semana, eu terminei esse livro, que me fez pensar muito nesse conceito de femme fatale, e de como as paixões podem ser avassaladoras e desenfreadas.

O fato de nenhuma história ter um final totalmente feliz não me surpreende: tudo que retrata a humanidade nunca acaba totalmente bem.

                             Com Amor, Lua.

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