Contexto do Poema
Embora eu tenha um diário, às vezes parece que a alma já odeia o ordinário e precisa de algo fora do comum para fazer arte e brilhar. Por isso, essa poesia, “Amor e Dor — Na Medida”, surgiu como uma forma de minha alma encontrar algo para extravasar — já que não podemos beber e fumar.
Amor e Dor — Na Medida
Talvez seja isso,
Eu sem amor,
Cheia de dor
E com um falso sorriso.
Amei uma rosa,
Ela me espetou.
Amei um girassol,
Ele me deixou.
Tentei amar com o cérebro,
Mas que porra de racionalidade!
Amei com o coração,
Me machuquei com probabilidade.
Dias vão,
Dias vem,
Quebro meu coração
Para manter o seu zen.
Foda-se o amor,
Pois no fim só é dor.
— dor da partida ou dor do continuar.
Embora desiludida,
Continuo crendo:
Essa partida eu não perco,
Nem fodendo.
Significado do Poema
1ª Estrofe: Mostra o resultado do poema. Ele é apresentado primeiramente para que, no decorrer das outras estrofes, se possa entender porque a autora chegou nesse estado, fazendo as outras estrofes parecerem apenas um flaskback do que já passou.
2ª Estrofe: Fala-se dos amores da autora. A rosa representa uma garota que espetou ela, pois ela “tocou” em um lugar perigoso. Esse primeiro amor foi imaturo e, embora não explícito, a autora reconhece que deveria ter tido mais cuidado ao lidar com alguém tão delicado, sem machucá-la. O girassol, por sua vez, representa um garoto que deixou a autora. Aqui, a intenção em representar esses amores é mostrar que ela já machucou (rosa) e já foi machucada (girassol).
3ª Estrofe: A autora mostra que tentou mudar sua forma de amar erroneamente. A princípio, ela tenta amar com o cérebro, mas logo percebe que a racionalidade se torna um problema em meio aos sentimentos confusos. Por outro lado, ela ama com o coração, mas se machucou com probabilidades, pois o coração fantasia coisas que parecem ser, mas não são. Aqui, a autora demonstra que deve-se amar com os dois órgãos — cérebro e coração.
4ª Estrofe: A autora mostra uma atitude destrutiva: quebrar o próprio coração para manter o do outro “zen”. A expressão “Dias vão/Dias vem” implica que a atitude é algo rotineiro, ou seja, já se tornou um hábito normal na vida da autora. Aqui, a intenção é evidenciar esse hábito destrutivo, sem julgamentos, mas apenas para fazer as vítimas disso terem consciência dessa realidade.
5ª Estrofe: A autora mostra desprezo pelo amor, xingando-o e o comparando à dor. Ela evidencia dois tipos de dor: a dor de ir (partida) e a dor de ficar (continuar), pois quem vai perde a pessoa que ama e, quem fica, perde-se. Aqui, o amor é rebaixado para dor, que todos escolhem qual será.
6ª Estrofe: A autora denota seu estado de desilusão em relação ao amor e, em contraste, diz que continua crendo. Implicitamente, ela escolhe o seu tipo de dor no terceiro verso: “Essa partida...”, demonstrando que ela não se perderia para não perder alguém. O uso de um palavrão no último verso demonstra a intensidade dos sentimentos da autora, mas também pode indicar um estilo de escrita mais rude e sem filtro.
O poema em questão, portanto, demonstra sentimentos sobre o amor e a dor, mostrando sua correlação e a medida que eles aparecem um no outro.
{Ass. Lua Austen}