No post do dia 21 de dezembro, eu mencionei a minha
formatura como motivo do atraso. Neste post, falarei sobre tudo que aconteceu
(fora e dentro de mim) até chegar ao fatídico dia do evento que marcou profundamente a minha vida.
Antes da Formatura
Quando falaram da formatura pela primeira vez, eu estava animada e queria ser a oradora da turma. A garotinha que sempre quis ser reconhecida estava vibrando dentro de mim, animada para começar a escrever o texto.
Os únicos custo da formatura seriam o vestido e o sapato. Com aquela esperança e otimismo infantil da época dos 15 anos, eu pensei que meu pai conseguiria essas pequenas coisas para meu dia especial.
Não foi assim. Meu pai disse que, nesse dia, ele iria receber um dinheiro e, por estar em cima da hora, não conseguiria comprar o vestido e o sapato. “Então,” — eu pensei — “terei que desistir de ser oradora, porque é melhor desistir logo do que deixar eles na mão caso eu não vá”. A pior parte foi ter que explicar isso para o professor de português, João, que queria muito que eu representasse a turma, e eu senti que ele ficou ligeiramente decepcionado.
Os dias que se seguiram foram tristes e pesados, porque eu realmente queria participar. Não era justo que eu não tivesse meu melhor dia por um motivo tão torpe como a ganância. Meu pai deixou claro que preferia ter uma ceia de natal do que ter que “bancar” minha formatura.
Com isso, alimentei uma nova e profunda mágoa e decepção em relação ao papai, que talvez não mereça esse título. Saber que comida era mais importante para ele do que ver a própria filha se formar foi um golpe que me fez desejar sair de casa logo.
Voltando. Meu pai falou com a coordenadora sobre isso e ela disse que “daria um jeito”. Quando soube disso, estava extremamente pessimista, mas me permiti sonhar com vestidos bonitos e lágrimas de felicidade.
Os dias passaram. Elegeram uma nova oradora, e eu confesso que senti certa inveja. Sentia que, de alguma forma, era para eu estar ali. Mas eu já tinha minha própria decepção e frustração para lidar, então esse sentimento foi esquecido e deu lugar ao reconhecimento de que minha colega tinha capacidade para isso tanto quanto eu.
Em um belo dia, minha professora de CFB, Mara, (que também é a coordenadora) me chamou para experimentar um vestido. O vestido coube, apenas ficou largo no ombro. Mais alguns dias depois, outra professora, Nazaré, me ofereceu um blazer e disse que eu poderia usá-lo na formatura. Eu fiquei feliz e estava mais animada para a formatura.
Só faltava o sapato. A Nazaré trouxe dois saltos oara mim e nenhum serviu. Então, a coordenadora Lourdes disse que me daria um na hora.
Teve a semana de provas adiantada para nossa turma e também os ensaios para a cerimônia. Nos momentos de prova, tivemos momentos muito bons antes do fim. Algumas vezes, levantava a cabeça e observava as pessoas tão diversas, mas com o mesmo amor.
A última semana de aula foi regada de risadas, conversas e apoio. A gente ainda teria um trabalho: o Sarau Literário. Basicamente, precisávamos produzir poemas e artigos de opinião sobre o tema “Identidade Amazônica e Crítica Social”. Admito que, no desespero, eu optei por pegar textos feitos por Inteligência Artificial, mas depois, eu fiz textos de minha autoria, o que me rendeu mais elogios e reconhecimento do que os primeiros textos.
A gente só recorre a algo que faça uma tarefa que é difícil para nós quando acreditamos que não somos capazes de realizá-la. No momento que confiei em minha inteligência, consegui fazer dois artigos de opinião.
O último dia de aula foi incrível. Quando cheguei na sala, estava tudo bonito e decorado. Comidas foram chegando, e eu fiquei ensaiando o que iria falar. Ajudei com várias coisas e, então, o sarau começou. A primeira sala a nos visitar foi o 5º ano, a turma da minha irmã, o que me deixou muito feliz.
Outras salas vieram, eu apresentei e recebi alguns elogios. Eu estava nervosa, gaguejava às vezes, mas me saí bem. Ver e ouvir todas aquelas pessoas me elogiando, prestando atenção às minhas palavras… foi como ter se esforçado por anos e alguém finalmente enxergar você.
O sarau terminou e os professores começaram a entrar na sala. Alguns deles falaram, alunos também… e eu. Eu agradeci a todos eles, principalmente à minha professora de história, Yandra. Graças a ela, voltei a ter acompanhamento psicológico, além de que ela sempre acreditou em mim e nos meus sonhos.
O último dia de aula foi lindo, e só de lembrar, bate uma saudade…
Durante a Formatura
O dia 20 chegou. Às 15h, eu comecei a me arrumar; tomei banho, penteei meu cabelo, pus meu vestido, o blazer por cima dos ombros e meu humilde tênis branco e rosa. Eu, meu, pai e minha irmã saímos e meu look atraiu bastantes olhares enquanto andávamos.
Demorou um pouquinho para chegar à escola em que ocorreria o evento. Chegamos às 16h30 e ainda não tinha ninguém. Esperamos, tiramos algumas fotos e começou a chegar os meus colegas. Eles estavam muito bonitos e, em todo o momento, eu queria chorar e tentar “eternizar” aquele momento.
A cerimônia começou e algumas pessoas discursaram. Os discursos mais impactantes foram o da minha colega Thayanne, e, o outro, da Yandra.
No momento em que a coordenadora Mara falou, ela disse que tinha um buquê de flores para a turma, mas que uma “aluna” levaria por eles. Ela chamou meu nome e as palmas ecoaram em um reconhecimento da minha capacidade e esforço. Nesse buquê, tinha rosas, tulipas e mais duas flores que não conheço, além de algumas folhas. Nele, veio cinco bombons Ferrero Rocher, os quais eu dividi com a minha família.
Depois, a entrega dos certificados, mais fotos e, então, a Yandra deu para mim e para mais três amigas uma foto que tiramos no dia do sarau (a foto acima) junto com um bombom. Após isso, minha professora de inglês, a Iara, nos deu photocards dos integrantes do BTS (e eu escolhi o Jimin 😌☝️).
O professor de reforço de língua portuguesa, Elizeu, tocou e cantou a música “Pais e Filhos” da Legião Urbana (e eu dancei o finalzinho dela com a professora de matemática, Clarissa). Teve mais fotos, o lanche e fomos embora. Inclusive, a coordenadora Lourdes tinha me oferecido um salto, só que ficou muito apertado, daí eu voltei a usar o tênis. Eu fui a única que tinha um blazer, que estava de tênis, sem maquiagem e sem o cabelo arrumado, o que atraiu comentários de algumas meninas, mas eu não me importei, pois estava muito feliz.
Depois da Formatura
Hoje é a véspera do Natal e faz quatro dias que ocorreu a formatura. Minha estante está decorada com o buquê, que já começou a murchar, e eu estou lendo o segundo filme do livro “Os Miseráveis”. Além disso, coloquei a foto com a Yandra e o photocard no porta-foto.
Foi o ano mais especial e o mais desafiador, que me ensinou a valorizar a humanidade dos outros, o presente e as histórias daqueles que amo. Não poderia pedir presente melhor.
Não foi apenas uma formatura — foi o resultado do meu amor pelas pessoas, da minha dedicação ao estudo e da minha fé em mim.
Com Amor, Lua.